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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A mente dualista e a mente monista - qual é a sua?

problema mente-corpo é uma questão filosófica tratada nos campos da metafísica e da filosofia da mente. E agora está sendo analisada no campo da neurociência.  O problema levanta-se devido ao facto que os fenómenos mentais parecerem qualitativa e substancialmente diferentes dos corpos de onde parecem depender


O problema foi identificado por René Descartes, no sentido conhecido pelo mundo ocidental, apesar de a questão já ter sido abordada por filósofos da era anterior a Aristóteles e na filosofia doavicenismo. John Searle nega o dualismo cartesiano, a idéia de que a mente é uma forma separada de substância do corpo, pois isso contraria toda a nossa compreensão da física, e ao contrário de Descartes, ele não traz Deus para o problema.


Searle rejeita o dualismo de propriedades e qualquer tipo de dualismo, a alternativa tradicional para o monismo, alegando que a distinção é um erro. Ele rejeita as idéias de que porque a mente não é objetivamente visível, não cai sob a rubrica do fisicalismo.

Então uma pessoa dualista pensa que a mente existe separada do corpo. Os dualistas  compreendem a existência como uma oposição entre formas distintas, ou seja,  o consciente e o inconsciente, luz e trevas, matéria e espírito, alma e corpo, entre outras, as quais não podem ser reduzidas umas às outras. Esta corrente de pensamento pressupõe a diferença fundamental entre corpo e mente, por mais que pareçam não ser distintos um do outro à luz da percepção sensorial.

Essa expressão foi pioneiramente utilizada por Thomas Hyde, no ano de 1700, no seu livro Historia religionis veterum Persarum, um texto sobre a religiosidade do povo persa, por ele designada de dualista, pois seus protagonistas eram duas entidades sagradas opostas.

Pessoas monistas acreditam que a mente não existe separada do corpo.  Hegel defende um monismo dentro do contexto do absolutismo racionalista.

Os resultados dos estudos realizados por neurocientistas e psicólogos apontam para o monismo. Nossa mente, pensamentos, consciência, emoções, são frutos de atividade neural e não existe fora do cérebro. Quando morremos morre a substancia, nosso ser, nosso eu interior. 

Como escreveu Michael Shermer em Cérebro e Crença:

"Nosso corpo é construído de proteínas, codificadas pelo nosso DNA. de modo que, com a desintegração do nosso DNA nossos padrões de proteínas se perdem para sempre. Nossas lembranças e nossa personalidade estão armazenadas nos padrões dos neurônios que excitam nosso cérebro e nas conexões sinápticas entre eles. Portanto, quando esse neurônios morrem e essas conexões sinápticas se rompem, resultam na morte da nossa personalidade e nas nossas lembranças.

Os que acreditam na vida eterna naturalmente vão rejeitar a ideia de que a crença na vida após a morte é produto do cérebro, ou vão argumentar que sua religião simplesmente reflete uma realidade ontológica sobre o universo. Eles dirão que acreditam na vida eterna e vão tentar oferecer "evidências para isso. Essas crenças surgem primeiro e depois as razões para reafirmar a crença e fortalecer, encontrando falsos padrões e fazendo conexões no cérebro.

Então, o monismo cientifico está em conflito com o dualismo religioso? Sim, está. Ou a alma sobrevive à morte ou não sobrevive, e não existem evidências científicas de que isso ocorra ou venha ocorrer. A ciência e o ceticismo tiram da vida qualquer significado? Acho que não. Pelo contrário. Se isso é tudo o que existe, nossa vida, nossa família, nossos amigos - e a maneira como tratamos os outros - se tornam significativos quando cada dia, cada momento, cada relacionamento, cada pessoa importam; não como uma peça de teatro encenada temporariamente antes de um eterno amanha, quando o propósito será revelado, mas como essências valiosas no aqui  e agora, onde criamos propósito provisório.

A consciência dessa realidade nos eleva a um plano mais alto de humanidade e humildade à medida que passamos pela vida juntos nesse tempo e espaço limitado - um momentâneo prólogo no drama do cosmo."




Recomendo a leitura do livro Cérebro e Crença

Fonte: Info escola e wikipédia




sábado, 30 de novembro de 2013

As crenças em extraterrestres e Design Inteligente são semelhantes



O psicologo e historiador da ciência  Michael Shermer escreveu um artigo na sessão cética da Scientific American  sobre o tema. 

Carl Sagan já havia abordado sobre a relação com extraterrestres e Design Inteligente em seu livro O Mundo assombrado pelos demônios, ambas as crenças são fundadas no argumento da ignorância.


Leia o artigo de Shermer:

De acordo com a popular série Ancient Aliens , em H2 (um spinoff do canal History), inteligências extraterrestres visitaram a Terra no passado distante, como evidenciado por inúmeros artefatos arqueológicos cujas explicações científicas provam insatisfatória para os entusiastas de alienígenas. A série é a mais recente de um gênero lançado em 1968 por Erich von Däniken, cujo livro Eram os Deuses Astronautas? tornou-se um best-seller internacional. Ela gerou várias sequelas, incluindo deuses do espaço, os deuses eram astronautas e, apenas a tempo para o 21 de dezembro de 2012, dia do julgamento Palooza, Crepúsculo dos Deuses: o Calendário Maia eo retorno dos Extraterrestres (aqueles que não conseguiram materializar).


Teoria Ancient Aliens baseia-se em uma falácia lógica chamada argumentum ad ignorantiam . "argumento da ignorância", ou o raciocínio ilógico, funciona assim: se não houver uma explicação satisfatória terrestre para, digamos, as linhas de Nazca no Peru, as estátuas da Ilha de Páscoa ou as pirâmides do Egito, então a teoria de que elas foram construídas por alienígenas do espaço exterior deve ser verdade.

Considerando que as cabeças pensantes de Ancient Aliens conjecturam que ETs usado "levitação acústica de pedra" para construir as pirâmides, por exemplo, os arqueólogos descobriram imagens que demonstram como dezenas de milhares de trabalhadores egípcios empregando trenós de madeira para mover as pedras ao longo das estradas da pedreira para o local e, em seguida, arrastou-as levemente inclinadas rampas de terra de uma pirâmide cada vez maior. Brocas de cobre, formões, serras e furadores foram encontrados nos escombros ao redor da Grande Pirâmide de Gizé, e as pedreiras são preenchidos com blocos semi-acabados e ferramentas quebradas que mostram como os egípcios trabalhavam a pedra. Estão ausentes do registro arqueológico quaisquer artefatos mais avançados do que aqueles conhecidos para serem usado no terceiro milênio aC

Outra teoria alien alega que o artefato é um símbolo encontrado no complexo do Templo de Dendera egípcio que lembra vagamente uma lâmpada moderna, com um filamento rabiscado dentro e um plugue na parte inferior. Em vez disso, os arqueólogos explicam que o símbolo representa um mito da criação do tempo (o "plug" é uma flor de lótus que representa a vida decorrente das águas primordiais, e o "filamento" significa uma cobra), estrangeiros antigos fantasistas especulam que os egípcios receberam o poder da eletricidade pelos deuses. Nesta linha ", se isso fosse verdade, o que mais poderia ser verdade?" Da investigação, ele está dizendo que há fios elétricos, lâmpadas de vidro, filamentos de metal ou estações de energia elétrica já foram escavados.

Na tampa do sarcófago do rei maia Pakal no México tem uma imagem "rocketlike" que Ancient Aliens consultoria produtor Giorgio Tsoukalos afirma que  retrata o governante em uma nave espacial: "Ele está em um ângulo como astronautas modernos sobre o lançamento. Ele está manipulando alguns controles. Ele tem algum tipo de equipamento de respiração ou algum tipo de um telescópio na frente de seu rosto.Seus pés estão em algum tipo de um pedal. E você tem alguma coisa que se parece com um escape, com chamas. "De acordo com os arqueólogos maias, no entanto, esta representação mostra o Rei Pakal sentado em cima do monstro sol e descendo ao submundo (onde o sol se à noite) dentro de uma" árvore do mundo " -um símbolo mitológico clássico, com ramos esticados para os céus e as raízes cavado no submundo.

Ancient Aliens e design inteligente se assemelham ao argumento da ignorância e ao "Deus das lacunas": sempre que existe uma lacuna no conhecimento científico, há evidência de desígnio divino. Desta forma, aliens antigos servem como pequenos "g" deuses das lacunas arqueológicos, com o mesmo defeito dos deuses dos evolucionistas Gaps-os que tentam preencher buracos que já estão preenchidos ou serão em breve, e, em seguida, surge o questionamento de onde vem a sua teoria? Na ciência, para uma nova teoria ser aceita, não é suficiente para identificar apenas as lacunas na teoria predominante (evidência negativa). Os proponentes devem fornecer evidência positiva em favor de sua nova teoria. E, como os céticos gostam de dizer, antes de dizer alguma coisa está fora deste mundo, primeiro certifique-se de que não é deste mundo.

Significativamente, em impressões subsequentes de? Eram os Deuses Astronautas o ponto de interrogação foi retirado discretamente, e este disqualifier foi adicionado na página do copyright: "Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são ou produto da imaginação do autor ou são usados ​​ficticiosamente. "Gap fechado.

Agora alguns questionamentos de Sagan



Como foi revelado por repetidas pesquisas de opinião, durante anos, a maioria dos norte-americanos acredita que estamos sendo visitados por seres extraterrestres que se deslocam em UFOs. Quando falamos com pessoas que se descrevem como sequestrados, a maioria parece muito sincera, embora presa nas garras de poderosas emoções. Alguns psiquiatras que as examinaram afirmam não terem encontrado nenhum sinal mais evidente de

psicopatologia do que no restante de nós.

Por que seres com um conhecimento tão avançado de física e engenharia  que cruzam imensas distâncias interestelares e passam como fantasmas pelas paredes  seriam tão atrasados em questões de biologia? Se os alienígenas tentam fazer a sua tarefa em segredo, por que não eliminam completamente todas as lembranças dos raptos? Difícil demais para eles? Porque os instrumentos do exame são microscópicos e lembram tanto o que pode ser encontrado na clínica médica da vizinhança? Por que se dar ao trabalho de encontros sexuais repetidos entre alienígenas e seres humanos? Por que não roubar algumas células de Óvulos e espermatozoides, decifrar todo o código genético e fabricar muitas cópias com todas as variáveis genéticas que a fantasia tiver o capricho de imaginar? Até nós, humanos, que ainda não conseguimos cruzar rapidamente o espaço interestelar, nem passar através das paredes, somos capazes de reproduzir células. Como os seres humanos poderiam ser o resultado de um programa reprodutor alienígena, se partilhamos 99,6% de nossos genes ativos com os chimpanzés? Somos mais intimamente relacionados com os chimpanzés do que os ratos com os camundongos. A preocupação com a reprodução nessas histórias levanta uma bandeira de alerta especialmente quando se consideram o equilíbrio instável entre o impulso sexual e a repressão social que sempre caracterizou a condição humana e o fato de que vivemos numa Época carregada de inúmeras histórias horripilantes, verdadeiras e falsas, de abuso sexual na infância.




Leia mais:

OVNIs: A Hipótese Psicossocial 


Ceticismo, Extraterrestres e Ufologia 






domingo, 10 de novembro de 2013

O Deus de Spinoza e os pensamentos de Einstein





Baruch de Espinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Spinoza defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade, a saber, a única substância em que consiste o universo e do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações. Ele afirmou que Deus sive Natura ("Deus ou Natureza" em latim) era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão (sob o conceito atual de matéria) e opensamento eram apenas dois conhecidos por nós.

A sua visão da natureza da realidade, então, fez tratar os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Esta formulação é uma solução muitas vezes considerada um tipo de panteísta e de monismo, porém não por Espinosa, que era um racionalista, por Extensão se teria um acompanhamento intelectual do Universo, como define ele em seu conceito de "Amor Intelectual de Deus".

Spinoza também propunha uma espécie de determinismo, segundo o qual absolutamente tudo o que acontece ocorre através da operação da necessidade, e nunca da teleologia. Para ele, até mesmo o comportamento humano seria totalmente determinado, sendo então a liberdade a nossa capacidade de saber que somos determinados e compreender por que agimos como agimos. Deste modo, a liberdade para Spinoza não é a possibilidade de dizer "não" àquilo que nos acontece, mas sim a possibilidade de dizer "sim" e compreender completamente por que as coisas deverão acontecer de determinada maneira. 

A filosofia de Spinoza tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito dos estóicos num aspecto importante: ele rejeitou fortemente a afirmação de que a razão pode dominar aemoção. Pelo contrário, defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada apenas por uma emoção maior. A distinção crucial era, para ele, entre as emoções activas e passivas, sendo as primeiras aquelas que são compreendidas racionalmente e as outras as que não o são.

Albert Einstein não acreditava em um Deus pessoal ele acreditava assim como Spinoza que deus e a natureza são uma mesma entidade. 

Segundo citações de Einstein:

Sou um descrente profundamente religioso. Isso é de certa forma um novo tipo de religião

Jamais imputei à natureza um proposito ou um objetivo, nem nada que possa ser entendido como antropomórfico. o que vejo na natureza é uma estrutura magnífica  que só compreendemos de modo muito imperfeito, e que nao tem como não encher uma pessoa racional de um sentimento de humildade. É um sentimento genuinamente religioso, que não tem nada  a ver com o misticismo.

Einstein também disse:

Não acredito em um Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como nossa ciência é capaz de revelar.

Segundo Richard Dawkins as citações de Einstein "Deus não joga dados" dentre outras, Einstein usa Deus em sentido metafórico, poético. Assim como Stephen Hawking, e como a maioria dos físicos que ocasionalmente cai na terminologia da metáfora religiosa.  


Einstein tinha um  sentimento espiritual quase que fazendo parte de uma religião cósmica, que não inclui medo da morte, medo da vida, medo de represálias de seres mais poderosos, medos de qualquer ordem. É um sentimento mais abrangente. Inclui sim a curiosidade, a procura de respostas a partir da utilização da razão, um conhecimento mais profundo do Universo pelo entendimento das suas leis mais básicas.


A definição de Deus neste caso é o conjunto de leis básicas que governam o Universo e que a ciência, mais cedo ou mais tarde, irá acabar por encontrá-las. A ciência é o instrumento para compreender o Universo que nos rodeia. E essa compreensão transmite um sentimento de espiritualidade muito superior a histórias infantis de pequenos deuses cheios de defeitos a influenciar as tarefas humanas.

Veja AQUI a carta que escreveu ao filósofo judeu Eric B. Gutkind falando sobre a sua posição religiosa.





domingo, 3 de novembro de 2013

Filósofo cético Pirro de Élis





Conhecido como o primeiro cético, Pirro de Élis foi um filosofo grego da antiguidade - 360 a.C. - 270 a.C - fundador da escola filosófica, o ceticismo, uma doutrina prática, também conhecida como pirronismo, que se caracterizava por duvidar das certezas e praticar o questionamento. 

O primeiro cético, entretanto, não se preocupou em fundar uma escola nos moldes tradicionais, e não deixou nenhum escrito. As informações de que dispomos para tentar reconstruir a vida e pensamento de Pirro são encontradas em fragmentos de obras de autores que se consideraram discípulos do filósofo, sobretudo nos textos de Timon de Fliús, e nos testemunhos apresentados por Diógenes Laércios, nas Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. 

Os princípios de sua obra são expressos, em primeiro lugar, pela palavra acatalepsia, que define a impossibilidade de se conhecer a própria natureza das coisas. Qualquer afirmação pode ser contraditada por argumentos igualmente válidos. Em segundo lugar, é necessário preservar uma atitude de suspensão intelectual, ou, como Timon expressa, nenhuma afirmação pode ser considerada melhor que outra. Em terceiro lugar, estes resultados são aplicados na vida em geral. Pirro conclui que, dado que nada pode ser conhecido, a única atitude adequada é ataraxia, "despreocupação".

A impossibilidade do conhecimento, mesmo em relação à nossa própria ignorância ou dúvida, deve induzir o homem sábio a resguardar-se, evitando o stress e a emoção que acompanha o debate sobre coisas imaginárias. Este ceticismo drástico é a primeira e mais completa exposição de agnosticismo na história do pensamento. Seus resultados éticos podem ser comparados com a tranquilidade ideal dos estóicos e os epicuristas.


Segundo Diógenes:


Pirro afirmava que nada é honroso ou vergonhoso, nada é justo ou injusto, e aplicava igualmente a todas as coisas o princípio que nada existe realmente, sustentando que todos os atos humanos são determinados pelos hábitos e pelas convenções, pois cada coisa não é mais isso que aquilo.” (Vidas, IX, 11, §61

A esse respeito, lembremos a definição do objeto do conhecimento científico apresentada por Aristóteles, no livro VI da Ética à Nicômaco

Todos supomos que aquilo que conhecemos cientificamente não é sujeito a variações; quanto às coisas sujeitas a variações, não sabemos, quando elas estão além de nossa observação, se elas realmente existem ou não. O objeto do conhecimento científico, portanto, existe necessariamente. Ele é conseqüentemente eterno, pois todas as coisas cuja existência é absolutamente necessária são eternas. (ARISTÓTELES, 1996, p. 218).

Que disposições devemos ter em relação às coisas? Sem referencial absoluto, nossas sensações e opiniões não podem mais ser ditas rigorosamente verdadeiras ou falsas, e, por isso, não teríamos, na compreensão de Pirro, razão para conceder-lhes maior atenção. Devemos ser, pois, sem opinião (adoxastos) e sem inclinação. A mesma recomendação se aplica às opiniões dos filósofos, como sugere outro fragmento da obra de Tímon: 
Como e onde, velho, Pirro, encontraste salvação, em face de submissão às vãs e falsas opiniões dos sofistas, e rompestes as cadeias de todos os enganos e o encanto de suas charlatanices? Não te preocupaste com a investigação de quais são os ventos que correm na Helade, nem quiseste saber de que se formam todas as coisas e em que as mesmas coisas se resolvem. (Vidas, IX, 11, §65)

Esse princípio de indiferença (adiaforia) especulativa que encontramos, nesta citação, aplicado às opiniões filosóficas no campo físico, estende-se às demais áreas da filosofia, em especial, ao campo da Ética, entendida com arte de viver que conduziria a felicidade. Aqui também encontramos um desdobramento absolutamente estranho ao pensamento grego: a idéia de quê para ser feliz, para viver com arte, não é necessário possuir um critério para discernir o que nos é por natureza conveniente (o nosso bem) daquilo que devemos evitar a todo custo. Segundo Diógenes:


Pirro afirmava que nada é honroso ou vergonhoso, nada é justo ou injusto, e aplicava igualmente a todas as coisas o princípio que nada existe realmente, sustentando que todos os atos humanos são determinados pelos hábitos e pelas convenções, pois cada coisa não é mais isso que aquilo.” (Vidas, IX, 11, §61)

Exemplos de como esse princípio de indiferença fora posto em prática são variados. Desde o caricato passeio em que, encontrando Anarxarco preso em um pântano, Pirro não teria se preocupado em ajudá-lo, continuando seu passeio (e ainda teria sido louvado pelo amigo por conta de sua indiferença), até coisas bastante simples, como o fato de Pirro limpar ele mesmo sua casa ou levar um leitão para vender no mercado. Um exemplo mais significativo para compreensão da postura de Pirro é a narrativa do episodio em que, perseguido por um cão, o filósofo teria buscado refúgio no alto de uma árvore. À alguém que assistindo a cena lhe cobrará coerência com seu pensamento, Pirro respondeu não ser  fácil abandonar a debilidade humana.






Fonte: Ceticismo e filosofia 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

As evidências de que cérebro e mente constituem uma coisa só são hoje esmagadoras


Em seu laboratório de pesquisa na Laurentian University,Ontário, o neurologista Michael Persinger induziu fenômenos paranormais em voluntários, submetendo seu lobo temporal a campos magéticos. Persinger instala eletrodos em um capacete de motocicleta adaptado para produzir uma ativação transiente do lobo temporal dos sujeitos. Ele acredita que os campos magnéticos estimulam “microataques” nos lobos temporais, quase sempre produzindo o que se pode chamar de episódios espirituais ou sobrenaturais: sensação de uma presença da sala, experiência fora do corpo, distorções bizarras de partes do corpo e até mesmo um profundo sentimento religiosos de entra em contato com Deus, ou deuses.


Persinger disse, que nosso “senso de ser” é mantido pelo lobo temporal do hemisfério esquerdo. Se o cérebro funciona normalmente, esse sistema tem um correspondente no lobo temporal do hemisfério direito. Quando esses dois sistemas estão fora de sincronia, o hemisfério esquerdo interpreta a atividade descoordenada como “outo ser” ou como uma presença, porque so pode existir um ser. Dois seres são reconfigurados, como um outro ser, que pode rotulado de anjo, demônio, alienígena, fantasmas ou ate mesmo Deus. Quando a amígdala é envolvida em acontecimentos transientes, os fatores emocionais podem aumentar significantemente a experiência, que é, ligada a temas espirituais, é fonte de intensos sentimentos religiosos.
Minúsculas mudanças na química do cérebro ou mínimas alterações da atividade elétrica podem criar fortes alucinações que parecem absolutamente reais.



Sabemos que toda experiência deriva do cérebro. Percebemos que padrões sutis geram complexas experiencias e emoções humanas
A estimulação do lobo temporal talvez não explique todos os fenômenos paranormais, mas a pesquisa de Persigner pode ser o primeiro passo em direção a desmistificar vários enigmas seculares.





Texto de Michael Shermer





sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Reconhecimento facial e a ilusão do livre-arbítrio

Nós nascemos com capacidade de reconhecer rostos. Um bebê sorri quando vê um padrão que parece um rosto. O software do reconhecimento facial foi construído pela evolução devido à importância do rosto em nossa vida. Os rostos são importantes para uma espécie de primatas como nós.

Por isso,  tendemos a ver rostos em qualquer coisa que se pareça com um. Um rosto famoso é face de Marte,  face de santo em janela ou em fumaça. Fenômeno chamado de pareidolia. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. As figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação ótica em comum entre vários observadores. Portanto, tem que ver a condição psicológica de cada observador, o que se passa em sua mente.

A parte do cérebro onde os rostos são reconhecidos e processados agora é conhecida pelos neurocientistas. Em geral nos lobos temporais (acima das orelhas) existe uma estrutura chamada giro fusiforme, que sabemos que esta envolvida no reconhecimento facial porque, quando sofre algum dando, fica difícil ou impossível reconhecer o rosto de alguém e ate mesmo o próprio rosto no espelho! Mais especificamente, existem duas vias neurais separadas, formadas por dois tipos diferentes de neurônios: um para processar rostos em geral, pela via magnocelular, células maiores de baixa frequência. E outro para processar características faciais em particular, pela via parvocelular, reconhece os detalhes faciais, como nariz e boca.

Além disso, parece que cérebro processa primeiro a forma global do rosto, como seu contorno, com dois olhos, nariz e boca, e depois os detalhes. Primeiro ocorre uma rápida avaliação de que se trata de um rosto, depois o processamento dos detalhes faciais, que leva um tempo um pouco maior. O primeiro ocorre rápida e inconsciente, enquanto o segundo ocorre lenta e consciente. O processamento rápido do inconsciente ocorre antes da percepção lenta do consciente.



O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.

Um deles foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em junho de 2011, com resultados impactantes. O pesquisador Stefan Bode e sua equipe realizaram exames de ressonância magnética em 12 voluntários, todos entre 22 e 29 anos de idade. Assim como o experimento de Libet, a tarefa era apertar um botão, com a mão direita ou a esquerda. Resultado: os pesquisadores conseguiram prever qual seria a decisão tomada pelos voluntários sete segundos antes d eeles tomarem consciência do que faziam.

Nesses sete segundos entre o ato e a consciência dele, foi possível registrar atividade elétrica no córtex polo-frontal — área ainda pouco conhecida pela medicina, relacionada ao manejo de múltiplas tarefas. Em seguida, a atividade elétrica foi direcionada para o córtex parietal, uma região de integração sensorial. A pesquisa não foi a primeira a usar ressonância magnética para investigar o livre-arbítrio no cérebro. Nunca, no entanto, havia sido encontrada uma diferença tão grande entre a atividade cerebral e o ato consciente.

Patrick Haggard, pesquisador do Instituto de Neurociência Cognitiva e do Departamento de Psicologia da Universidade College London, na Inglaterra, cita experimentos que comprovam, segundo ele, que o sentimento de querer algo acontece após (e não antes) de uma atividade elétrica no cérebro.

A atividade neural que precede a intenção de agir é inacessível a nossa mente consciente, e por isso temos  a sensação de livre-arbítrio. Mas é uma ilusão, causada pelo fato de que não podemos identificar a causa da consciência de nossa intenção de agir. Esse estudos mostram quão profundamente a padronicidade esta arraigada em nosso cérebro, estruturalmente inserida em nosso inconsciente  e gerando padrões abaixo de nossa consciência.

O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Vírginia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como o cérebro traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.

Ainda que as pesquisas estejam corretas, os próprios neurocientistas reconhecem que a ideia de um mundo sem livre-arbítrio provoca estranhamento. Eles se esforçam, sobretudo, para conciliar sua teoria com o problema da responsabilidade pessoal. "Mesmo que a gente viva em um universo determinista, devemos todos ser responsáveis por nossas ações", afirma Gazzaniga. "A estrutura social entraria em caos se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar, com base no argumento simplista de 'meu cérebro mandou fazer isso'."
Para o cientista cognitivo Steven Pinker, a solução talvez seja manter a ciência e moralidade como dois reinos separados. "Creio que ciência e ética são dois sistemas isolados de que as mesmas entidades fazem uso, assim como pôquer e bridge são dois jogos diferentes que usam o mesmo baralho", escreve ele no livro Como a Mente Funciona. "O livre-arbítrio é uma idealização que torna possível o jogo da ética."

Fontes:
Livro Cérebro e Crença do Michael Shermer

Wikipédia

Revista Veja

Vídeo Big Think


terça-feira, 23 de julho de 2013

A evolução do cérebro em encontrar padrões




Trecho do livro Cérebro e Crença do psicólogo e escritor da revista Skeptics, Michael Shermer



Imagine que você é um hominídeo caminhando por uma savana africana há 3 milhões anos. Você ouve um ruído na mata. Será apenas o vento ou um predador perigoso? Sua resposta pode significar vida ou morte. Se você presumir que o ruído na mata é um predador perigoso, mas for apenas o vento, você terá cometido o que chamo de “erro cognitivo do tipo I”, também conhecido como “falso positivo”, isto é, acreditar que alguma coisa é real quando não é. Ou seja, você descobriu um padrão inexistente. Você conectou (A) um ruído na mata a (B) um predador perigoso, mas nesse caso A não estava ligado a B. Não houve nenhum dano. Você se afasta do ruído, torna-se mais alerta e cauteloso e encontra outra trilha que o leva a seu destino.

Se você presumir que o ruído na mata é apenas o vento, mas na verdade for um predador perigoso, você terá cometido o que chamo de “erro cognitivo do tipo II”, também conhecido como um “falso negativo”, isto é, acreditar que alguma coisa não é real quando na verdade é. Ou seja, você perdeu um padrão verdadeiro. Deixou de ligar (A) um ruído na mata a (B) um predador perigoso, r nesse caso A estava ligado a B. Você será devorado!

Nosso cérebro é uma máquina de crença, um aparelho avançado de reconhecimento de padrões que ligam os pontos e criam significados a partir de padrões que acreditamos ver na natureza.


Quando a associação é verdadeira, aprendemos algo valioso sobre o ambiente, e a partir disso podemos  fazer previsões que nos ajudem a sobreviver e nos reproduzir. Somos os ancestrais daqueles que foram mais bem sucedidos em encontrar padrões. Esse processo se chama “aprendizado por associação” e é fundamental para o comportamento de todos os animais, do C. elegans ao H. sapiens. Chamo esse processo de padronicidade, ou a tendência de encontrar padrões significativos em dados que podem ou não ser significativos.

Infelizmente não desenvolvemos no cérebro uma rede de detecção de besteiras, capaz de distinguir padrões falsos dos verdadeiros. Não possuímos um detector de erros capaz de regular a máquina de reconhecimento de padrões.

Avaliar  a diferença entre o erro do tipo I e o erro do tipo II é muito difícil - especialmente nas frações de segundos que frequentemente determinam a diferença entre a vida e a morte. Melhor é supor que todos os padrões são reais, ou seja, que todos os ruídos na mata são provocados por predadores perigosos, e não pelo vento.

Essa é a base da evolução de todas as formas de padronicidade, inclusive da superstição e do pensamento mágico. Existe no processo cognitivo uma seleção natural de supor que todos os padrões são reais e todas as padronicidades representam fenômenos reais e importantes. Somos descendentes de primatas que empregaram a padronicidade com mais sucesso.

O problema que enfrentamos é que a superstição e a crença na magia está presente muito antes da ciência. Qualquer charlatão que prometa que A vai curar B só precisa fazer publicidade de uns poucos testemunhos de sucesso.

Embora o reconhecimento do verdadeiro padrão nos ajude a sobreviver, o reconhecimento do falso padrão não nos mata necessariamente, e foi assim que o fenômeno da padronicidade suportou o processo discriminatório da seleção natural. Porque precisamos fazer associações para garantir a sobrevivência e a reprodução, a seleção natural favoreceu todas as estratégias de associação, mesmo as que resultam em falsos positivos.


Mariane SD

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O CONSELHO CÉTICO DE HOUDINI



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Texto escrito por Michael Shermer

Postado por Alessandro Carvalho 


Antes de dizer que algo é de outro mundo, certifique-se primeiro de que não pertence a este mundo.

Sir Arthur Conan Doyle foi o brilhante autor das histórias populares do detetive Sherlock Holmes, que celebrava m o triunfo da razão e da lógica sobre a superstição e a mágica. Infelizmente, o médico escocês que virou escritor não aplicava as habilidades cognitivas de sua criação quando se tratava de espiritismo, movimento que florescia no início dos anos de 1900: ele caiu cegamente na simplória fraude das fotografias das Fadas de Cottingley e participava regularmente das sessões para fazer contato com membros de sua família mortos na Primeira Guerra Mundial, especialmente seu filho – Kingsley. Talvez, apropriadamente, a fama de Conan Doyle o levou a conhecer o maior mágico de sua época, Harry Houdini, que não suportava farsas.

Em 1922 Conan Doyle visitou Houdini em sua casa em Nova York, onde o mágico preparou uma encenação para demonstrar que a escrita mediúnica na ardósia – método favorito entre os médiuns para receber mensagens dos mortos que supostamente moviam um pedaço de giz pela superfície de uma tábua de pedra – poderia ser feita de maneira perfeitamente prosaica. Houdini disse para Conan Doyle pendurar a peça de ardósia em qualquer lugar da sala de modo que ficasse livre para balançar livremente no espaço. Mostrou ao escritor quatro bolas de rolha, pedindo que ele escolhesse uma delas e a cortasse para provar que não havia sido alterada. Em seguida, pediu para Conan Doyle escolher outra bola e mergulhá-la em um pote de tinta branca. Enquanto a rolha encharcava, Houdini pediu a seu visitante para descer a rua em qualquer direção, pegar um pedaço de papel e um lápis e escrever uma pergunta ou uma sentença, colocá-lo de volta em seu bolso e retornar à casa. Conan Doyle concordou, rabiscou rapidamente "Mene, mene tekel, uphasin", um enigma extraído da Bíblia, do livro de Daniel, que significa: "Foi contado e contado, pesado e dividido".

Escolha muito apropriada, tendo em vista que o que aconteceria em seguida desafiaria qualquer explicação, pelo menos na mente de Conan Doyle. Houdini fez com que ele recolhesse a bola encharcada de tinta com uma colher e a colocasse contra a ardósia, onde ela grudou momentaneamente antes de rolar lentamente por sua superfície, soletrando:"M", "e", "n", "e", e assim por diante até que a frase toda estivesse completa, em cujo ponto a bola caiu no chão. De acordo com William Kalush e Larry Sloman, na biografia que escreveram em 2006 – The secret life of Houdini (Atria Books), nessa ocasião, o mestre mistificador ensinou a Conan Doyle a lição que ele – e por analogia qualquer pess oa que se impressionasse com mistérios dessa natureza- precisava conhecer: "Devotei muito tempo e ideias para criar essa ilusão... Não vou lhe contar como foi feita, mas posso lhe assegurar que se trata de puro truque. Fiz esse truque usando meios perfeitamente normais. Planejei-o para demonstrar ao senhor o que pode ser feito nesse sentido. Agora, eu lhe imploro, não conclua que certas coisas que você vê sejam necessariamente 'sobrenaturais', ou obras do 'espírito', só porque não consegue explicá-las".

Lamentavelmente, Conan Doyle continuou acreditando que Houdini tinha poderes psíquicos e conexões espirituais que empregava em suas famosas escapadas.

Essa questão é chamada de argumento da ignorância ("isso deve ser verdade porque não foi provado ser falso") ou, algumas vezes, de argumento da incredulidade pessoal ("porque não consigo imaginar uma explicação natural, não pode haver uma"). Esse tipo de falsa racionalidade surge com tanta frequência em meus encontros com pessoas de fé que chego à conclusão de que deve ser produto de um cérebro insatisfeito com a dúvida; a ssim como a natureza abomina o vácuo, também o cérebro fornece uma explicação, não importa o quanto improvável seja. Assim, anomalias normais se transformam em paranormais, fenômenos naturais transmutam em sobrenaturais, objetos voadores não identificados viram espaçonaves extraterrestres e coincidências se tranformam em conspirações.

O princípio de Houdini prega que só porque uma coisa é inexplicável, isso não significa que seja paranormal, sobrenatural, extraterrestre ou conspiratória. Ou em outras palavras, não é porque você não consegue explicar um fenômeno que ele é inexplicável. você não conhecer a explicação de um fenômeno, não quer dizer que este fenômeno não possua uma explicaçã. Antes de afirmar que algo não é desse mundo, certifique-se primeiro de que não pertence a este mundo, uma vez que a ciência se fundamenta no naturalismo e não no sobrenaturalismo, paranormalidade ou quaisquer outras explicações desnecessariamente complicadas.

fonte: Texto de Michael Shermer para a coluna "Cético - Uma visão racional do mundo" da Revista Scientific American Brasil de março de 2011

Temos que ensinar como a ciência funciona, e não apenas o que a ciência descobriu

Segundo uma pesquisa feita em 2009 com 2.303 americanos, 76% acreditam em milagres, 72% acreditam em anjos, 71% imortalidade da alma, 70 % ressurreição de  Cristo, 69% demônios, 61% inferno, 45% na teoria da evolução de Darwin.

É perturbador o fato que mais pessoas acreditam em anjos e demônios do que na teoria de Darwin. Se fosse no Brasil os resultados não seriam tão diferentes.

Parte do problema talvez seja que a maioria das pessoas cerca de 70% dos americanos não entendem o processo cientifico e essas crenças estão arraigadas em suas mentes. Uma solução seria ensinar como a ciência funciona, alem de o que a ciência conhece e nos oferece.


Uma segunda pesquisa mostrou que alunos tem dificuldade em aplicar seus conhecimentos científicos para avaliar alegações pseudocientíficas (falsa ciência). Portanto, temos que melhorar o ensino de biologia  e de ciência na escola.



Uma outra solução para atenuar a superstição e a crença no sobrenatural, seria ensinar como a ciência funciona, alem do que a ciência conhece e nos oferece. O método científico pode ser ensinado.



Veja o método simplificado:





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O problema se agrava porque a maioria das crenças arraigadas, estão imunes aos ataques educacionais, especialmente para aqueles que não estão preparados para aceitar evidências contrarias.

Construímos nossas crenças por varias e diferentes razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicos, em contextos criados pela família, por amigos, colegas, pela cultura e pela sociedade.

O cérebro não gosta de ficar sem resposta e busca por padrões, mesmo em coisas sem sentido ou que não existem, aos quais então infunde um significado. Chamo ao primeiro processo de padronicidade: encontrar padrões. O segundo chamo  de acionalização:  tendencia de dar aos padrões intenção e ação. Não podemos evitar isso. Nosso cérebro evoluiu  para conectar pontos de nosso mundo em padrões significativos, capazes de explicar por que as coisas acontecem.

Uma vez  formadas as crenças, o cérebro começa a procurar e encontrar evidências que as confirmem, o que aumenta a confiança emocional  e acelera o processo de reforço dessas crenças, Assim, o processo continua em um ciclo de reforço dessas crenças.  O cérebro faz também um julgamento de valor sobre as crenças. E é raro as pessoas mudarem suas crenças e opiniões, principalmente na religião e na politica. sendo que quando tomam conhecimento de crenças diferente das suas, temos a tendencia de rejeita-las ate consedera-las más, absurdas, ou ambas as duas. Essa propensão torna ainda mais difícil mudar de opinião diante de novas evidências.


Trecho do livro Cérebro e Crença do psicologo Michael Shermer.
Recomendo a leitura para um melhor entendimento do tema abordado nesse artigo.


O conhecimento cientifico pode ser um caminho, mas, temos que ter a mente disposta a mudar nossas opiniões,  para reavaliar e até abandonar antigas crenças.


Mariane SD